quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Museus e inclusão social

Ao trazer o papel social do museu, e analisar, trabalhando pela negação da inclusão social, (a exclusão) como o não acesso a relações (politicas, sociais, oportunidades, recursos), diferencia tal processo, positivo tanto para o museu quanto para a sociedade; do desenvolvimento de audiência. Cita Dodd e Sandell (2001) que propõe as praticas museológicas como meio para um fim social, sem que a desigualdade social se torne alvo do museu.

DODD, Jocelyn e SANDELL, Richard (Eds.). Inlcuding museums: pespectives on Museums, Galleries and Social Inclusion. Leicester: Research Centre for Museums and Galleris, 2001.

Educação Patrimonial

Conceitua alguns dos pilares da disciplina: memória individual e social, identidade, patrimônio cultural sob o viés do cultivo,  atribuição de valores. Também, no panorama apresentado ao fim do texto, um tanto quanto pessimista, (embora não fuja ao real) devo ressaltar, apesar da relação que estabelecemos pessoalmente com a cultura como patrimônio, o que pode ser também descrito como um movimento natural da cultura, natural e "incristalinizável". A perspectiva é que, ao longo do tempo, as experiências relacionadas ao passado tendam à planificação, isto é ver  "o nosso modo de vida em um museu".

A danação do objeto...

Francisco Régis Lopes Ramos trata neste capítulo aspectos em comum com Ulpiano principalmente a cerca do museu como estimulador do argumento critico e história como campo de possibilidades. A inclusão da ótica de Paulo Freire no processo pedagógico e da produção expositiva do museu releva esta análise a um novo patamar, em que a conversa ao invés, da descarga, se dá entre visitante e exposição-objeto-obra.
Seguida das concepções de cultura e museologia pelas quais se orienta, Magaly Cabral, trazendo outros autores, destaca o papel social do museu. Aprofundando-se em teoria e relatos de práticas, admite, não métodos, mas concepções. A ideia de visitante ativo e formador de uma visão individual, aliada a uma concepção de educação com o patrimonio (sendo este uma ferramenta, disponivel ao visitante) demontra uma mudança de valor que, eu acredito, será mais complexa de por em prática do que conceber em teoria.

Texto Educação e museus: sedução, riscos e ilusões


Em “Educação e museus: sedução, riscos e ilusões” Ulpiano Bezerra de Menezes trata das conformações comuns nos processos de educação em museus, da expografia (ou não-expografia) às tecnologias visuais agregadas a hiper exposições, Ulpiano reflete sobre as práticas e dispositivos educacionais dos museus brasileiros, a partir de sua experiência como museólogo e educador.
Inicialmente abordando a quebra do lugar comum do “resgate” da memória, esta sendo conceituada como processo que se dá no presente, e da identidade, tida como imutável . Tais fenômenos são, para Ulpiano, tanto aspectos intrínsecos ao desenvolvimentos da ideia de eu, sociedade, ou grupo; quanto ferramentas que, aliadas à uma noção de história como processo aberto, constituem o aprender a fazer história. Destaca também necessidade de o museu ter um padrão de acessibilidade, e até eficiência em suas apresentações e textos.
Ao separar a informacionalidade da formação nos museus, o autor traça a importância de o museu estimular a formação crítica, frente à disponibilidade de recursos expositivos que divertem sem trazer à tona os saberes relevantes ao assunto. Tendo em vista os living museums, e outros “dispositivos educacionais” em que a interatividade, se presente e relevante ao assunto, é limitada a reações específicas de estímulos limitados; se perde o vínculo com o estranhamento necessário ao conhecimento.
No que tange ao objeto como dispositivo educacional, a declaração do museu como instituição compromissada com a cultura material e sua preservação, é, para Ulpiano, uma articulação explorada de maneira limitada, na educação sobre o objeto, em vez de com o mesmo. Faz ainda uma ressalva sobre as limitações que são os “museus sem acervo”, declarando a incompletude da experiência, por exemplo histórica, sem a ver materialmente. Analisando as técnicas de ensino televisivas e virtuais e as possibilidades de virtualizar o museu, declara que estas empobrecem a relação com o fenômeno museu, fugindo ao potencial da experiência pessoal.
Dentro do recorte proposto, o autor conclui que a formação crítica, a formação de conhecimento, a especificidade na cultura material, e a regência de tais parâmetros às técnicas educacionais, são ideias necessárias para se educar em um museu.